Casa de ex-presidente do Iêmen é alvo de ataque em Sanaa

Valeria Vaz
5 Dezembro, 2017

Quando era questionado sobre a longevidade do seu poder num país tão dividido como o Iémen, o ex-Presidente Ali Abdullah Saleh descrevia os seus 33 anos de governação como uma "dança em cima da cabeça de serpentes". Horas depois, um líder do partido de Saleh confirmou sua morte.

A rede de televisão é do ex-presidente Ali Abdullah Saleh - que foi morto pelos rebeldes hoje.

O ex-presidente de 75 anos morreu após ser atingido por combatentes huthis em sua casa, que fica em Hadda, distrito ao sul da capital.

A fragilidade da aliança entre Saleh e os houthis - maioritariamente zaiditas, um ramo do islão xiita - nunca foi um segredo, mas as fissuras aprofundaram-se na semana passada, especialmente em torno do controlo sobre partes de Sanaa.

Após a dissolução da aliança, Saleh declarou-se disposto a abrir uma "nova página" com os sauditas, que dirigem uma coligação anti-rebelde no Iémen desde 2015. Antes disso, presidiu a República Árabe do Iêmen (Iêmen do Norte) de 1978 até a unificação do país.

"O presidente ordenou seu vice-presidente Ali Mohsen Al Ahmar, que está em Marib (leste de Sanaa), a dar início à marcha das tropas para a capital", anunciou um membro do seu gabinete nesta segunda-feira. Descontentes com o sistema federal proposto em 2015, os houthis lançaram uma forte ofensiva militar contra Hadi - com apoio do Irão e do grupo terrorista xiita Hezbollah, segundo Riad - e conseguiram tomar Sanaa e grande parte do país. O objetivo deste anúncio é enfraquecer ainda mais os rebeldes apoiados pelo Irão.

Entretanto, o primeiro-ministro Ahmed ben Dagher anunciou que o atual presidente vai oferecer amnistia a todos os que deixem de colaborar com os Huthis.

Essa informação poderia significar que a coalizão se prepara para intensificar os ataques aéreos em Sana.

É a maior crise humanitária do mundo após uma onda de violência crescente que acontece no oriente médio.

De acordo com os habitantes, os combates iniciados na quarta-feira entre facções rivais da rebelião espalharam-se para fora da capital.

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