Governo apela a que se encontrem novas soluções na Autoeuropa

Eugenio Alvim
30 Novembro, 2017

A Comissão de Trabalhadores (CT) da Autoeuropa acredita que pode chegar a acordo com a administração da fábrica de Palmela. Para já, ainda não há data para um novo encontro entre a CT e a direcção.

"Tendo em conta os resultados obtidos com o referendo, a Comissão de Trabalhadores (CT) pretende reiniciar o processo negocial com o objetivo de alcançar um novo entendimento", refere, em comunicado, a CT da Autoeuropa.

Os trabalhadores da Autoeuropa rejeitaram um segundo pré-acordo sobre os horários de trabalho a partir de 2018.

O titular da pasta do Trabalho recusou também fazer leituras políticas deste chumbo: "sabemos que da eleição resultou uma comissão muito plural, com listas apoiadas por sindicatos e que têm assento na comissão de trabalhadores". Com o pretexto de dar resposta à fabricação do T-Roc, o novo veículo utilitário desportivo da Volkswagen, a administração queria que a fábrica funcionasse em 18 turnos a partir de Fevereiro e que os trabalhadores laborassem entre segunda-feira e sábado, com a obrigatoriedade de trabalhar ao sábado [dois dias de folga consecutivos apenas de três em três semanas e fins-de-semana apenas de seis em seis], durante dois anos. Apesar de falar em "algumas melhorias" face ao primeiro pré-acordo chumbado, "existem ainda matérias em que é possível progredir", defendeu este sindicato, avançado com três pontos: "a salvaguarda de que o futuro regime de horário de trabalho, a implementar após as férias [de Agosto], seja de adesão individual, respeitando assim a vontade de cada trabalhador; a retribuição "de todo o trabalho extraordinário em conformidade com os valores actualmente praticados", e que a "laboração contínua deve ser discutida fora do actual processo".

Incluída na lista das maiores empresas exportadoras (embora também importe muitos componentes, há um forte contributo de componentes nacionais), a Autoeuropa tem um peso da ordem do 1% do PIB e de 4% nas exportações, de acordo com os dados da própria empresa.

O ministro do Trabalho, Vieira da Silva, considera que com este impasse "não está em causa a existência da empresa".

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