Brasil gasta mal e injustamente, diz Banco Mundial

Eugenio Alvim
23 Ноября, 2017

A Previdência é o que causa mais preocupação. Também aponta possíveis reformas para promover uma gestão de recursos mais eficaz e justa.

No entanto, após a análise de uma série de dados, o órgão concluiu que "é possível [no Brasil] economizar parte do orçamento sem prejudicar o acesso e a qualidade dos serviços públicos, beneficiando os estratos mais pobres da população".

Para cumprir o teto dos gastos, que foi aprovado pelo governo no final de 2016, os gastos precisam ser reduzidos em 0,6% do PIB ao ano em relação à tendência atual durante a próxima década. Segundo o organismo internacional, uma série de medidas de contenção de despesas poderiam produzir uma economia de até 8,3% do Produto Interno Bruto (PIB) até 2026, já considerando esforços feitos também por Estados e municípios.

Um dos problemas apontados pelo banco é referente aos gastos com previdência, descrita como o "motor do desequilíbrio fiscal" do país.

O relatório aponta que, se o Brasil não cortar gastos com a Previdência em geral, terá uma despesa de 150% do PIB em 2080, algo perto de R$ 9 trilhões.

Além disso, a previdência brasileira é "altamente injusta", aponta o Banco Mundial.

Programas sociais, como o abono salarial e o salário família, poderiam ser reformulados e redesenhados, gerando economia de 1,3% do PIB.Um exemplo de mudança sugerida seria a integração de diversos programas sociais, como a aposentadoria rural, o BPC (aposentadoria para a população urbana pobre) e o salário família em um único balcão de assistência, nos moldes da experiência bem-sucedida de integração do bolsa família, que reuniu programas como o bolsa escola e o vale-leite no início do primeiro mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Uma delas é tributar as aposentadorias de alta renda no serviço público e acabar com o ensino gratuito nas universidades públicas. Segundo o relatório, os servidores públicos federais ganham, em média, 67% a mais do que os trabalhadores da iniciativa privada. Os servidores estaduais também têm salários mais altos.

"Esse grande prêmio salarial perpetua a desigualdade, porque beneficia as pessoas mais ricas", diz o economista-chefe do Banco Mundial no Brasil, Antonio Nucifora.

O Banco Mundial revela que os gastos com servidores, em todas as esferas do governo, chegaram a 13,1% do PIB em 2015, em comparação com os 11,6% registrados há dez anos.

O Bird constatou ainda que a massa salarial também é elevada em relação a outros países. O governo gasta 0,7% do PIB com as universidades federais.

O Banco Mundial considera imprescindível frear os gastos com o funcionalismo público brasileiro. Segundo o banco, elas estão presentes em gastos tributários, créditos subsidiados e gastos diretos com empresas.

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